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Friday, April 10, 2026

Parte 4: Processos, Cultura e Resposta a Incidentes

Segurança em Camadas para PMEs
Processos, Cultura e Resposta a Incidentes

A camada que une tudo: quando a tecnologia sozinha não é suficiente


Chegamos à camada mais humana da cebola

Ao longo desta série, construímos três camadas concretas de proteção para a sua PME. Na Parte 1, protegemos os dispositivos e controlamos as identidades. Na Parte 2, segmentamos a rede e garantimos um acesso remoto seguro. Na Parte 3, implementamos visibilidade e monitoramento de segurança e infraestrutura.

Agora chegamos à quarta e última camada — e talvez a mais negligenciada de todas: processos, cultura organizacional e resposta a incidentes.

A tecnologia protege. Mas é o ser humano que clica no link errado, usa a senha do trabalho em sites pessoais, compartilha credenciais com colegas ou ignora alertas do antivírus. Estudos da IBM apontam que o fator humano está presente em mais de 95% dos incidentes de segurança. Isso significa que mesmo com as melhores ferramentas do mercado, sem processos claros e uma cultura de segurança estabelecida, sua empresa continuará vulnerável.

A boa notícia é que esta camada não exige grandes investimentos financeiros — exige principalmente organização, comunicação e comprometimento da liderança.


Política de segurança simples para PMEs — o mínimo que precisa existir

Uma política de segurança não precisa ser um documento de 100 páginas cheio de jargões técnicos. Para PMEs, ela precisa ser simples, clara e aplicável — um guia que qualquer colaborador consiga entender e seguir.

O que toda política de segurança de PME deve cobrir

  • Uso aceitável de recursos de TI: o que os colaboradores podem e não podem fazer com os equipamentos e sistemas da empresa
  • Gestão de senhas: requisitos mínimos, proibição de compartilhamento e uso de gerenciador de senhas
  • Uso de dispositivos pessoais (BYOD): regras para acesso à rede corporativa com dispositivos próprios
  • Classificação de informações: o que é confidencial, o que é interno e o que pode ser compartilhado externamente
  • Uso de e-mail e internet: cuidados com links, anexos e acesso a sites não corporativos
  • Procedimento para reportar incidentes: como e para quem o colaborador deve avisar quando suspeitar de algo
  • Consequências do não cumprimento: deixar claro que a política tem peso e será aplicada

Como criar sua política sem burocracia

Comece com um documento de uma ou duas páginas. Use linguagem simples. Apresente para a equipe em uma reunião curta e peça a assinatura de ciência de todos os colaboradores. Revise anualmente ou sempre que houver mudanças significativas no ambiente de TI.

O objetivo não é criar um documento perfeito — é garantir que as regras existam, sejam conhecidas e sejam seguidas.


Treinamento e conscientização — o colaborador como última linha de defesa

De nada adianta ter firewall, EDR e SIEM se um colaborador clica em um e-mail de phishing e entrega suas credenciais voluntariamente para um atacante. O treinamento de conscientização é a medida que transforma o elo mais fraco da segurança — o ser humano — em uma camada adicional de proteção.

Já publicamos um artigo detalhado sobre este tema: Treinamento de Conscientização em Segurança. Vale a leitura como complemento a esta série.

O que o treinamento de segurança deve cobrir

  • Como identificar e-mails de phishing: remetentes suspeitos, urgência artificial, links encurtados, anexos inesperados
  • Engenharia social: como atacantes manipulam pessoas por telefone, e-mail ou presencialmente
  • Boas práticas de senhas: por que não reutilizar, como usar o gerenciador de senhas corretamente
  • Uso seguro de Wi-Fi público: riscos e como mitigá-los com VPN
  • Cuidados com dispositivos físicos: tela bloqueada, não deixar notebooks sem supervisão, cuidado com pendrives desconhecidos
  • O que fazer quando algo parece errado: a quem reportar e como agir sem piorar a situação

Phishing simulado — testando a prontidão da equipe

Uma das formas mais eficazes de treinamento é o phishing simulado: enviar e-mails falsos de phishing para os colaboradores e monitorar quem clica, quem reporta e quem ignora. Os resultados são usados para direcionar treinamentos específicos — sem punição, mas com aprendizado.

Ferramentas como KnowBe4, Proofpoint Security Awareness e Gophish (open source) permitem realizar campanhas de phishing simulado de forma estruturada e com relatórios detalhados.

Attack Simulation Training — simulação de ataques nativa no Microsoft 365

Para empresas que já utilizam o Microsoft 365 Business Premium ou planos superiores com o Microsoft Defender for Office 365, existe uma solução nativa e extremamente acessível: o Attack Simulation Training.

Disponível diretamente no Microsoft Defender XDR (portal security.microsoft.com), o Attack Simulation Training permite que administradores criem e executem simulações de ataques reais contra os próprios usuários da organização — sem necessidade de ferramentas externas ou configurações complexas.

O que o Attack Simulation Training oferece

  • Simulações de phishing: e-mails falsos com técnicas reais usadas por atacantes, como coleta de credenciais, links maliciosos, anexos infectados e engenharia social
  • Múltiplas técnicas de ataque: phishing de credenciais, malware em anexo, link para drive-by download, concessão de OAuth e spear phishing direcionado
  • Biblioteca de templates prontos: centenas de modelos baseados em campanhas reais de ameaças, prontos para uso imediato
  • Treinamento automático para quem cai no teste: colaboradores que clicam no link ou fornecem credenciais são direcionados automaticamente para módulos de treinamento específicos
  • Relatórios detalhados: taxa de cliques, taxa de reporte, comparação com benchmarks do setor e evolução ao longo do tempo
  • Campanhas automatizadas: é possível configurar simulações recorrentes para rodar automaticamente em intervalos definidos

Como acessar e configurar

  1. Acesse o portal security.microsoft.com com uma conta de administrador global ou administrador de segurança
  2. No menu lateral, navegue até Email e colaboração → Attack Simulation Training
  3. Clique em Simulations e depois em + Launch a simulation
  4. Escolha a técnica de ataque desejada — para começar, recomenda-se Credential Harvest (coleta de credenciais)
  5. Selecione um template da biblioteca ou crie um personalizado
  6. Defina os usuários-alvo — pode ser toda a organização ou grupos específicos
  7. Configure o treinamento automático para quem cair no teste
  8. Defina a data de início e duração da simulação

Requisito de licença: o Attack Simulation Training está disponível nos planos Microsoft 365 E3, E5, Business Premium e Microsoft Defender for Office 365 Plano 2. Para PMEs, o Business Premium é o plano mais acessível que inclui este recurso.

Para mais detalhes sobre configuração e boas práticas, consulte a documentação oficial: Introdução ao Attack Simulation Training — Microsoft Learn.

Recomenda-se realizar treinamentos de conscientização pelo menos duas vezes por ano e campanhas de simulação de ataque trimestralmente — com reforço imediato para quem cair no teste. Para quem já usa Microsoft 365, o Attack Simulation Training é o ponto de partida natural antes de avaliar plataformas externas como KnowBe4 ou Proofpoint.


Plano de resposta a incidentes — o que fazer quando algo der errado

Não é questão de se sua empresa vai sofrer um incidente de segurança — é questão de quando. Ter um plano de resposta a incidentes simples e conhecido por todos os envolvidos faz a diferença entre uma crise controlada e uma catástrofe operacional.

Para PMEs, o plano não precisa ser complexo. Ele precisa responder a uma pergunta fundamental: "O que fazemos nas próximas 2 horas se descobrirmos que fomos atacados?"

As 5 etapas básicas de resposta a incidentes

  1. Identificar: confirmar que o incidente realmente ocorreu. Coletar as primeiras evidências sem alterar ou apagar nada. Registrar data, hora e o que foi observado.
  2. Conter: limitar o impacto imediatamente. Isolar o dispositivo comprometido da rede. Bloquear contas afetadas. Impedir que o problema se espalhe antes de entender sua extensão.
  3. Erradicar: identificar e remover a causa raiz. Limpar o malware, corrigir a vulnerabilidade explorada, revogar acessos comprometidos.
  4. Recuperar: restaurar os sistemas afetados a partir de backups validados. Monitorar de perto nas horas e dias seguintes para garantir que o problema não retornou.
  5. Aprender: documentar o incidente, analisar o que falhou e o que funcionou. Atualizar processos e controles para evitar recorrência. Esta etapa é frequentemente ignorada — e é a mais valiosa para a maturidade da segurança.

Checklist básico de resposta a incidentes para PMEs

Etapa Ação imediata Responsável
Identificar Registrar o que foi observado, quando e por quem. Acionar o responsável de TI Colaborador + TI
Conter Desconectar o dispositivo afetado da rede. Bloquear contas suspeitas TI
Comunicar Informar a liderança. Avaliar se há obrigação de comunicar à ANPD (LGPD) TI + Gestão
Erradicar Remover a ameaça, corrigir a vulnerabilidade, revogar acessos comprometidos TI
Recuperar Restaurar sistemas a partir de backup validado. Monitorar por 72h TI
Aprender Documentar o incidente e atualizar processos e controles TI + Gestão

Dica prática: imprima este checklist e deixe disponível para a equipe de TI — inclusive offline. Em um incidente grave, sistemas podem estar indisponíveis e um documento físico pode ser o único recurso acessível.


Backup como pilar do plano de continuidade

Nenhum plano de resposta a incidentes funciona sem backup. A capacidade de restaurar sistemas e dados a partir de cópias confiáveis é o que separa um incidente recuperável de uma perda irreversível.

Já abordamos este tema em profundidade no artigo Backup Regular e Testado — Falhas, Ataques e Perda de Dados. A regra 3-2-1-1-0 — 3 cópias, 2 mídias diferentes, 1 cópia offsite, 1 cópia imutável e 0 erros nos testes — é o padrão mínimo recomendado para PMEs.

Dois pontos críticos que toda PME precisa garantir antes de um incidente acontecer:

  • Teste seus backups regularmente — um backup não testado é uma falsa sensação de segurança
  • Mantenha pelo menos uma cópia imutável e offsite — ransomware frequentemente tenta criptografar ou apagar backups acessíveis na rede

LGPD e conformidade — o mínimo que toda PME precisa saber

A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) se aplica a empresas de todos os tamanhos que tratam dados pessoais de pessoas físicas no Brasil. Ignorá-la não é uma opção — as sanções incluem multas de até 2% do faturamento anual, limitadas a R$ 50 milhões por infração.

O que as camadas desta série já cobrem em termos de LGPD

A boa notícia é que boa parte do que implementamos ao longo desta série já contribui diretamente para a conformidade com a LGPD:

  • Controle de acesso e MFA — garante que apenas pessoas autorizadas acessem dados pessoais
  • Segmentação de rede — isola sistemas que tratam dados sensíveis
  • Monitoramento e logs — permite rastrear acessos e detectar vazamentos
  • Backup testado — garante a disponibilidade e integridade dos dados
  • Plano de resposta a incidentes — a LGPD exige comunicação à ANPD em até 72 horas em casos de vazamento com risco relevante

O que ainda precisa ser feito para conformidade básica

  • Mapear os dados pessoais tratados: quais dados, de quem, para qual finalidade, onde estão armazenados e por quanto tempo são retidos
  • Nomear um DPO (Encarregado de Dados): pode ser um colaborador interno ou um serviço terceirizado
  • Revisar contratos com fornecedores: garantir que terceiros que tratam dados pessoais também estejam em conformidade
  • Ter uma política de privacidade: clara, acessível e alinhada com as práticas reais da empresa

Fechamento da série — as 4 camadas da cebola implementadas

Chegamos ao fim da série "Segurança em Camadas para PMEs". Veja o que foi construído:

Camada O que protege Principais ferramentas
1 — Endpoint e Identidade Dispositivos e controle de acesso Microsoft Defender for Business, Bitdefender GravityZone, CrowdStrike Falcon Go, Microsoft Entra ID, Bitwarden Teams
2 — Rede Tráfego, segmentação e acesso remoto Fortinet FortiGate, Cisco Meraki, WatchGuard Firebox, Ubiquiti UniFi
3 — Visibilidade e Monitoramento Detecção de ameaças e saúde da infraestrutura Wazuh, Microsoft Sentinel, Zabbix, Grafana, Acronis RMM
4 — Processos e Cultura Comportamento humano e continuidade Política de segurança, treinamento, KnowBe4, plano de resposta a incidentes, LGPD

Você não precisa implementar tudo de uma vez. O conceito da casca de cebola existe exatamente para isso: comece pela camada mais interna, consolide, e avance para a próxima. Cada camada implementada já representa um avanço real e significativo na postura de segurança da sua empresa.

Segurança não é um destino — é uma jornada contínua. O ambiente de ameaças evolui, as ferramentas evoluem, e a sua empresa também deve evoluir. O importante é começar.

É possível fazer. É possível evoluir. E agora você tem o roteiro.


Referências e links úteis


Caso necessite de algum auxílio ou esclarecimento adicional, entre em contato: cesar@iland.com.br ou csarafim@gmail.com

Thursday, October 9, 2025

Atualizações e Patches

Por que manter seu parque atualizado com acompanhamento Sistemático é crítico para Infraestrutura de TI ?

Este artigo tem como referência o artigo:  
TI Corporativa em Perigo: Descubra as 10 Medidas Que Podem Salvar Seus Dados!  

Em um ambiente corporativo, negligenciar atualizações de hardware ou de software, sendo de segurança ou deixar de substituir um sistema obsoleto é como deixar portas destrancadas em um prédio cheio de informações confidenciais. A aplicação de patches, atualizações de versão de sistemas operacionais e tecnologias não deve ser vista como uma tarefa pontual, mas sim como uma atividade contínua, estratégica e essencial para a proteção da infraestrutura de TI.

Por que o acompanhamento sistemático é indispensável?

Estudos mostram que a maioria dos ataques cibernéticos explora vulnerabilidades conhecidas, para as quais já existem correções disponíveis. Casos como os ataques WannaCry e NotPetya são exemplos de como a falta de atualização pode gerar prejuízos bilionários e paralisar operações críticas, já existiam correções disponíveis.

Além disso, manter os sistemas atualizados é uma exigência de conformidade regulatória, como a LGPD, e uma prática que reforça a resiliência operacional da empresa.

Não existe mágica, o acompanhamento ainda é a melhor solução. 


Equipamentos que exigem atenção constante

A gestão de atualizações deve abranger todos os ativos de TI ou que tenham a possibilidade de acessar recursos de tecnologia, incluindo:

  • Desktops e notebooks: sistemas operacionais, navegadores, antivírus, drivers.
  • Servidores físicos e virtuais: Sistemas Operacionais, sejam Linux ou Windows, bancos de dados, firmware.
  • Switches, roteadores e access points: firmware e sistemas de gerenciamento.
  • Firewalls e appliances de segurança: assinaturas de ameaças, regras, firmware.
  • Soluções de backup e armazenamento: software de backup, sistemas de arquivos.
  • Dispositivos móveis corporativos: apps e sistemas operacionais.
  • Sistemas embarcados e IoT: sensores, câmeras, controladores industriais.
  • Aplicativos Comerciais: Aplicações corporativas, ERP´s e outros.

Ações práticas para um acompanhamento eficaz

  1. Crie um inventário completo de ativos
    • Mapeie todos os dispositivos e softwares em uso. Sem visibilidade, não há controle.
    • Mapeie o site dos fabricantes para descobrir como funcionam as atualizações.
  2. Monitore fontes oficiais de atualizações
    • Acompanhe boletins de segurança dos fabricantes (Microsoft, Cisco, Fortinet, etc.) e mantenha uma rotina de verificação.
  3. Estabeleça um cronograma de atualizações
    • Defina janelas regulares para aplicação de patches, com prioridade para sistemas críticos.
  4. Teste antes de aplicar
    • Utilize ambientes de homologação para validar atualizações antes de aplicá-las em produção.
  5. Documente todas as ações
    • Registre datas, versões aplicadas, responsáveis e impactos observados. Isso facilita auditorias e revisões futuras.
  6. Estabeleça um processo de aprovação
    • Crie um comitê ou fluxo de validação para garantir que os patches não comprometam a operação.
  7. Treine sua equipe
    • Capacite os profissionais de TI para identificar, avaliar e aplicar atualizações com segurança.
    • Mantenha contratos de suporte para apoio técnico especializado.
  8. Realize auditorias periódicas
    • Verifique se todos os sistemas estão atualizados e se os processos estão sendo seguidos corretamente.
  9. Inclua softwares de terceiros
    • Não se limite ao sistema operacional. Aplicativos como Java, Adobe, navegadores e ERPs também precisam de atenção constante.
  10. Planeje atualizações de hardware
    • Equipamentos obsoletos podem não suportar atualizações recentes. Avalie ciclos de substituição e compatibilidade.

Ferramentas que ajudam no dia a dia

Para garantir um processo eficiente e seguro de atualização dos sistemas, é essencial contar com ferramentas que automatizem tarefas, reduzam riscos e aumentem a visibilidade sobre o ambiente de TI. Abaixo estão algumas soluções amplamente utilizadas no mercado, recomendadas por sua robustez e capacidade de atender às necessidades da maioria das empresas: 

  1. WSUS (Windows Server Update Services)
    • Fabricante: Microsoft
    • Funcionalidades:
      • Gerenciamento de atualizações para sistemas Windows.
      • Controle de distribuição de patches.
      • Relatórios de conformidade.
  1. Red Hat Satellite / YUM / DNF
    • Fabricante: Red Hat
    • Funcionalidades:
      • Gerenciamento de patches em sistemas Linux.
      • Automação de atualizações.
      • Relatórios de conformidade e segurança.
  1. APT (Advanced Package Tool)
    • Fabricante: Debian/Ubuntu
    • Funcionalidades:
      • Atualizações automatizadas via repositórios.
      • Scripts de manutenção e segurança.

Conclusão

O acompanhamento sistemático de atualizações e patches é uma atividade estratégica que deve estar no centro da gestão de segurança de qualquer empresa. Mais do que uma tarefa técnica, trata-se de uma responsabilidade contínua que protege dados, garante conformidade e fortalece a infraestrutura contra ameaças cada vez mais sofisticadas.

Caso necessite de algum auxílio ou esclarecimento adicional entre em contato: cesar@iland.com.br ou csarafim@gmail.com 

Wednesday, October 8, 2025

Política de Senhas Fortes e Rotatividade de Senhas

Pilar da Segurança Digital Corporativa

Este artigo tem como referência o artigo:  
TI Corporativa em Perigo: Descubra as 10 Medidas Que Podem Salvar Seus Dados!

Em um cenário onde 81% das violações de dados envolvem senhas fracas ou comprometidas, implementar uma política de senhas robusta deixou de ser uma recomendação técnica para se tornar uma necessidade estratégica nas empresas. Este artigo apresenta os fundamentos de uma política eficaz, práticas recomendadas e ferramentas que podem ajudar sua organização a elevar o nível de segurança digital.


Por que uma Política de Senhas é Essencial?

Senhas são a primeira linha de defesa contra acessos não autorizados. Sem uma política clara, os riscos incluem:

  • Reutilização de senhas em múltiplos sistemas
  • Uso de senhas fracas ou previsíveis
  • Falta de rotatividade e atualização periódica
  • Armazenamento inseguro de credenciais

Além disso, ataques como força bruta e phishing continuam evoluindo, tornando essencial o uso de senhas fortes e práticas de autenticação modernas.


Boas Práticas para uma Política de Senhas Forte

Segundo especialistas da Microsoft, NIST - National Institute of Standards and Technology e CISA – Cybersecurity and Infraestructure Agency, uma política eficaz deve incluir:

1. Complexidade e Comprimento

  • Mínimo de 12 a 16 caracteres
  • Uso de letras maiúsculas, minúsculas, números e símbolos
  • Evitar nomes pessoais, datas de nascimento ou padrões previsíveis
  • Uso de frases secretas com no mínimo 16 caracteres especiais sempre que possível

2. Rotatividade de Senhas

  • Definir validade máxima (ex: 90 dias)
  • Impor histórico de senhas para evitar reutilização
  • Definir validade mínima para evitar trocas rápidas e repetitivas

5. Auditoria e Monitoramento

  • Verificações periódicas de conformidade
  • Alertas para senhas comprometidas ou fracas

Na prática:

É pouco provável que consigamos criar contextos de validação como os sugeridos acima, em ferramentas open source, embora existam várias iniciativas como, Keycloak, Gluu Server, PrivacyIDEA, este artigo, visa principalmente pequenas e médias empresas, que não tem um ninja especialista para colocar para funcionar uma boa solução. Neste momento temos um software totalmente integrado a um Sistema Operacional bastante usado que é simples e efetivo chamado Microsoft Active Directory. O AD acompanha o Windows Server.

Exemplos de Políticas Recomendadas

Política do Active Directory (Microsoft)

  • Regras de complexidade configuráveis
  • Expiração e histórico de senhas
  • Controle de tamanho de Senhas
  • Integração com MFA

Uso de Gerenciadores de Senhas

Hoje, cada pessoa precisa lidar com dezenas — às vezes centenas — de senhas: e-mail, redes sociais, bancos, sistemas corporativos, aplicativos, serviços em nuvem... A tendência de reutilizar senhas ou anotá-las em locais inseguros (como planilhas ou cadernos) é comum, mas extremamente arriscada.

Um gerenciador de senhas é uma ferramenta que ajuda a armazenar, organizar e proteger todas essas credenciais de forma segura. Ele permite que você:

  • Crie senhas fortes e únicas para cada serviço
  • Evite a reutilização de senhas, que é uma das principais causas de vazamentos
  • Acesse suas senhas com segurança, usando autenticação multifator (MFA)
  • Compartilhe credenciais com segurança, no caso de equipes ou familiares
  • Receba alertas se alguma senha for comprometida em vazamentos públicos

No ambiente corporativo:

Empresas precisam proteger dados sensíveis, sistemas internos e acessos privilegiados. Gerenciadores corporativos permitem:

  • Controle de acesso por função ou departamento
  • Auditoria de uso e conformidade com normas como NIST e GDPR
  • Rotatividade automática de senhas
  • Integração com diretórios como Active Directory e SSO

No uso pessoal:

Você pode usar um gerenciador para proteger suas contas bancárias, redes sociais, e-mails e muito mais. Com ele, você só precisa lembrar uma senha mestra — o resto fica protegido e acessível com segurança.

Em resumo, um gerenciador de senhas não é apenas uma ferramenta — é um aliado da governança de TI, da proteção de dados e da continuidade operacional.


Gerenciadores de Senhas

Essenciais para armazenar, gerar e compartilhar senhas com segurança:

Pessoal

  • Bitwarden: Código aberto, gratuito e com planos empresariais acessíveis

Corporativa

  • Microsoft Entra ID (antigo Azure AD): Soluções completas para autenticação multifator, SSO e gestão de identidade

Conclusão

Uma política de senhas forte não é apenas uma questão técnica — é uma estratégia de proteção de ativos digitais. Ao combinar regras claras, ferramentas adequadas e conscientização dos colaboradores, sua empresa estará mais preparada para enfrentar os desafios da segurança cibernética moderna.

 

Caso necessite de algum auxílio ou esclarecimento adicional entre em contato: cesar@iland.com.br ou csarafim@gmail.com

 

Tuesday, October 7, 2025

TI Corporativa em Perigo

Descubra as 10 Medidas Que Podem Salvar Seus Dados! 


10 Ações Essenciais para Fortalecer a Segurança da Informação no Ambiente Corporativo

Em um cenário corporativo cada vez mais digital e interconectado, a segurança da informação tornou-se um dos pilares fundamentais para a continuidade dos negócios. Com o avanço das tecnologias e o aumento das ameaças cibernéticas, proteger os ativos digitais da empresa não é mais uma opção — é uma necessidade estratégica. A gestão eficaz da segurança em ambientes de TI exige ações práticas e contínuas que envolvem não apenas ferramentas tecnológicas, mas também processos e conscientização dos colaboradores.

A adoção de boas práticas de segurança da informação no dia a dia corporativo é essencial para mitigar riscos como vazamento de dados, invasões, indisponibilidade de sistemas e fraudes. Medidas simples, como autenticação multifator, backups regulares e treinamentos de conscientização, podem fazer uma grande diferença na proteção do ambiente tecnológico. Além disso, a implementação de políticas claras e o uso de soluções automatizadas ajudam a garantir que a segurança não dependa apenas da ação humana, mas esteja integrada à rotina operacional da empresa.


10 Ações Práticas para um Ambiente de TI Corporativo Seguro

  

  1. Política de Senhas Fortes e Rotatividade de Senhas. 
    Estabelece a base da segurança de acesso. Senhas complexas e trocas periódicas são essenciais.
     
  2. Atualizações e Patches 
    Corrige vulnerabilidades conhecidas, evitando brechas de segurança.

  3. Treinamento de Conscientização em Segurança
    Educar os colaboradores para reconhecer ameaças como phishing e engenharia social e como se comportar quando acessando informações corporativas ou pessoais. 
     
  4. Backup Regular e Testado. 
    Garantir recuperação rápida e eficaz em caso de falhas, ataques ou perda de dados.


  5. Filtro de E-mails e Antiphishing
    Previne que mensagens maliciosas cheguem aos usuários, reduzindo riscos de infecção.

  6. Bloqueio de Dispositivos USB Não Autorizados. 
    Evita a introdução de malware e o vazamento de dados por mídias removíveis.

  7. Autenticação Multifator (MFA)
    Adiciona uma camada extra de proteção além das senhas, dificultando acessos indevidos.

  8. Gestão de Identidades e Acessos (IAM). 
    Controla rigorosamente quem acessa o quê, com base em funções e necessidades.

  9. Segmentação de Rede. 
    Limita o impacto de invasões, dificultando a movimentação lateral de atacantes.

  10. Monitoramento Contínuo e Alertas. 
    Detecta comportamentos suspeitos em tempo real e permite resposta rápida a incidentes.



Nos próximos artigos, vamos explorar de forma prática como implementarmos os 10 itens acima !!

Wednesday, February 1, 2017

RANSOMWARE, em 2017 o desafio será ainda maior !!!

Recentemente conversando com um grupo de empresários, fiquei surpreso pois na grande maioria nenhum sabia exatamente o que era e nem os problemas que o RANSOMWARE pode desencadear em uma empresa. Mas não fiquem espantados se a equipe de TI de sua empresa também não esteja totalmente antenada para esta que é uma das atividades cyber criminosas mais bem sucedidas do momento.

RANSOMWARE é basicamente um sequestro eletrônico... dos dados das vítimas.

Baixo risco, dificuldade de localização dos criminosos, fácil disseminação e desconhecimento são alguns dos fatores que influenciam a escalada de crescimento do RANSOMWARE no mundo.

Em 2016, segundo um relatório ISTR da SYMANTEC, as infecções de crypto-ransomware tiveram uma explosão, causando mais 120.000 ataques bem sucedidos no mês de outubro de 2016 e segundo o FBI com a possibilidade de atingir mais de US$ 1 Bilhão de prejuízo só nos EUA. Estes ataques vem crescendo ano a ano. Os dados de ataques no Brasil ainda não são conclusivos, mas temos informações no dia a dia que demonstram cada vez mais a facilidade que os criminosos estão encontrando para atacar as empresas brasileiras. Apenas em Dezembro de 2016, tivemos a notificação de 50 empresas que tiveram os bancos de dados sequestrados.

Ainda no ano de 2016, os ransomwares não deram descanso para as empresas brasileiras, agindo no “atacado”, tendo como alvo empresas menores e até prefeituras. Por ser um sucesso indiscutível, a tendência é que os criadores de variantes de ransomwares pressionem as tecnologias de segurança ao extremo, explorando a possibilidade de infiltrar cada dispositivo de armazenamento de dados entre a rede e a empresa.

Quem são as vítimas ?

Consumidores pessoas físicas com 57% ainda são a maior parte, mas as empresas já atingem o percentual de 43% dos ataques.

A dificuldade de rastrear os criminosos com o uso de Bitcoin para o pagamento dos sequestros. Uma das questões que tem sido recorrente é o aumento do prêmio para a liberação do sequestro. Os marginais digitais, impõe aumentos diários no valor a pagar e não existe uma garantia que ao efetuar o pagamento os dados sejam realmente liberados.

Soluções ??

Elas existem, a educação, ainda é um forte aliado dos usuários, pois o phishing, técnica que consiste na arte de fazer o usuário clicar em um link ou e-mail ainda é muito usada e responsável por 23% dos ataques no mundo. Mas os cyber criminosos evoluem e técnicas avançadas de exploração de sites, aplicativos sem os patchs corretos, dispositivos externos e até banners aparentemente inofensivos de propaganda, que parecem legítimos, são utilizados para efetuar a infecção e permitir o sequestro dos dados.

Conceitos de segurança integrada, aonde os Firewalls de última geração são as estrelas com sistemas de monitoração ativa e antivírus moderno e atualizado são atualmente os requisitos mínimos além da educação continuada dos usuários.

Lembrem-se FIREWALL IPTABLES, IPCHAINS, PFSENSE, BSD, MIKROTIK, já não atendem as demandas de segurança dos momentos atuais, soluções antigas mas que tem dificuldades de entregar segurança completa para uma TI moderna.


Tuesday, December 13, 2016

Segurança da Informação. De quem é a responsabilidade ?

Não estamos falando apenas de Tecnologia e sim de Segurança da Informação como um todo, e se uma empresa depende da segurança da informação para atingir seus objetivos corporativos, logo o CEO (Chief Executive Officer) deve ser o principal responsável pelo tema.

Não estou afirmando que o CEO precisa ser um expert em segurança, mas sim, ele deve estar comprometido com tudo que diz respeito com boas informações para poder direcionar as ações necessárias para atender a estratégia da empresa.

Em tempos de RANSOMWARE, e agora falando um pouco de Segurança de TI, nunca foi tão importante o comprometimento dos principais executivos no tema segurança dentro de nossas organizações.

Por se tratar de um processo corporativo, pois está intimamente ligado as informações que mantém a empresa é que considero a Segurança da Informação uma atividade que não é somente da área de Tecnologia da empresa. o CEO aqui, tem a missão fundamental de difundir e garantir a existência de processos corporativos para que o Ambiente Tecnológico e o Ambiente Físico sejam auditáveis e passiveis de recuperação em caso de desastre.

A área de Segurança da Informação tem mais sucesso quanto mais independente for e quanto mais madura for a organização. Os processos de segurança devem permear toda a organização e mais uma vez o CEO tem papel fundamental no patrocínio destas ações.

A segurança da informação exige investimentos. Não somente tecnológicos, precisa de profissionais competentes que estejam a frente das ações necessárias para manter a empresa minimamente segura. Quando falo isto, lembro que mitigar os riscos é a primeira iniciativa para um ambiente seguro e o processo de segurança não pode ser reativo. Um profissional com sólidos conhecimentos de segurança da informação pode fornecer ao CEO as necessidades mínimas para um ambiente seguro. Sabemos que no Brasil as pequenas empresas tem dificuldades por questões financeiras de manter um profissional para esta área, mas neste tema existem ótimas consultorias que podem prover as empresas com todas as iniciativas que um profissional interno deveria trazer, por um custo bastante aceitável.

Sendo a ignorância um dos maiores pecados para a segurança da Informação, a falta de normas e políticas dificultam o tratamento de processos simples como acessos e segregação da informação e quando for o caso de ações preventivas, visando a segurança da organização.
Segurança não é "achismo", existem normativas de segurança como a família ISO/IEC - 27000 que tratam do tema de forma estruturada e permitem que qualquer empresa trate de todos as particularidades importantes e as ações que devem ser tomadas para tratar do assunto.
 Backups seguros e testados, Antivírus Corporativos, Firewalls de última geração, redes segregadas, acessos físicos seguros, estas são apenas ações que devem estar normatizadas dentro da organização e que devem ter sido orquestradas pela área competente com o patrocínio do CEO.
As ações devem ser continuadas e a atenção aos detalhes deve ser a prioridade para as empresas. 

Sim o CEO é em resumo o responsável por todas as ações ligadas a Segurança na sua empresa.

Cesar Sarafim